Evento: Lioness In Breakfast Maputo

O que acontece quando as mulheres se reúnem pela manhã? Mulheres que enchem uma sala de optimismo e energia, prontas para partilhar o caminho pouco desbravado do empreendedorismo feminino em Moçambique. No Lioness In Breakfast, uma iniciativa global (Lionesses of Africa) de network para mulheres empreendedoras, estavam presentes mais de 50 mulheres, de diferentes gerações e áreas de negócio para atentamente escutar histórias de sucesso. Sim, eram histórias de sucesso, podemos tirar a capa da humildade por alguns instantes para falar: Mulheres nos negócios, são mulheres de sucesso.

O Lioness In Breakfast Maputo foi ontem, teve lugar na Incubadora do Standard Bank Moçambique e contou com três convidadas de peso: Melanie Ricardo (Farnel), Ancha Salvador (Anchaa´s Gluten Free), Elena Gafurini Vali (Dev Moçambique). A fundadora da Lionesses of Africa, Melanie Hawken contagiou o ambiente com o seu entusiamo por estar rodeada de mulheres que fazem a diferença no ecossistema empreendedor africano, em particular Moçambique.

23 lições que tirei do Lioness In Breakfast Maputo:

  1. O país vai mudar positivamente nos próximos anos, principalmente nos sectores de óleo e gás. As mulheres precisam estar preparadas para estas oportunidades;
  2. Mulheres reunidas significa investimento no crescimento do país;
  3. Nós nunca paramos de aprender;
  4. Pais que trabalharam a vida toda para outros, no início tem dificuldade de apoiar o sonho de empreender das filhas. (Quantas já passaram ou passam por isso?!!);
  5. As novas oportunidades melhora a visão do negócios;
  6. A queda do rendimento no negócio, leva-nos a questionar se não é altura de mudar o público alvo;
  7. Trabalhar com empresas abre mais portas para o negócio;
  8. Deve-se apostar numa localização estratégica para atender as necessidades do cliente;
  9. Os desafios nos negócios permite-nos desenvolver outras habilidades como paciência e capacidade de negociação;
  10. O apoio da família é importante para o fortalecimento do negócio;
  11. Para tudo que o cliente quer, é possível encontrar uma solução;
  12. O negócio de nincho como da Anchaas que produz alimentos para pessoas com intolerância a glutén é um mercado de crescimento;
  13. É um grande desafio ser mulher, empreendedora e mãe, mas temos que ter forças para ultrapassar;
  14. O nosso próprio problema pode ser o problemas dos outros;
  15. É preciso capacitação para melhorar o talento;
  16. O nosso futuro depende de nós mesmas. Nunca devemos desistir e devemos pedir ajuda de pessoas que já tem experiência na área;
  17. O respeito, fazer o que te faz mais feliz e compromisso são factores chaves tanto no relacionamento pessoal como profissional;
  18. É importante entrar no mercado com o pé direito, procurando um advogado, caso não tenha conhecimentos sobre as questões legais;
  19. Se o negócio não é inovador, não é competitivo. Se não é competitivo, não vai crescer;
  20. Sucesso é ter um negócio que funciona, que cresce e ser uma boa mãe;
  21. Para Moçambique crescer, precisa melhorar a qualidade dos produtos e serviços;
  22. O networking é importante, mas é preciso aprender a selecionar os eventos, avaliar os riscos e benefícios para evitar desperdiçar o tempo. (Acho que essa é para mim, LoL);
  23. No negócio temos que ter flexibilidade para tomar decisões, escolher a equipa certa e aprender a vender o nosso produto ou serviço.

Esta foi a minha primeira participação no Lioness In Breakfast e foi uma manhã inspiradora, os desafios partilhados pelas oradoras são comuns para mulheres, fazem-nos acreditar que todas somos capazes de superar as barreiras familiares, profissionais e sociais do empreendedorismo feminino em Moçambique.

E para finalizar, partilho uma questão que a Elena Gafurini Vali lançou para as mulheres:

O que farias se não tivesses medo de falhar?

Não sabe que negócio abrir, siga o dinheiro

Após a distribuição do meu Ebook “ A primeira Startup- sem medo de empreender”, estava ansiosa para saber a opinião dos leitores. Para além das perguntas básicas sobre o Ebook, também pedia no formulário sugestões de temas para os próximos textos. E o segundo tema mais solicitado era: Qual é o negócio o melhor negócio para começar em Moçambique?

E acredita que essa pergunta vem a tona em muitas rodas de conversa sobre negócios. É verdade que a empreendedora quer resolver um problema e criar valor para o cliente. Mas sempre o resultado do negócio é gerar rendimento e quanto maior for o lucro no negócio, melhor.

Tenho oportunidade de avaliar e desenhar produtos e serviços inovadores para a área de Educação e Tecnologia, e algumas vezes a minha intuição diz que encontrei a Tal ideia (que vai resolver grandes problemas e salvar o país da crise económica). Mas como saber que um negócio é mais lucrativo do que o outro?

Eu fiquei impressionada quando lia na Revista Exame Moçambique de Agosto que o mercado de roupa usada movimenta milhões de dólares. Eu conheço muitas famílias que tem o seu sustento no comércio de roupa usada, mas estava longe de pensar que esse sector era gigante. Por isso, acompanhar programas de TV, jornais e revistas especializadas em negócios é uma excelente estratégia para encontrar os negócios mais lucrativos em Moçambique.

Durante os seis anos que trabalhei no sector de transportes de documentos e carga, a minha tarefa preferida era fazer o rastreamento das encomendas online. Assim aprendi que informação da origem, da trajectória e do destino das encomendas permite-nos o circuito do dinheiro em Moçambique. Por isso, concordei com um tweet de um empreendedor americano que dizia:

Não olhe para o que as pessoas dizem, mas sim o que elas compram.

O nosso maior desafio como empreendedoras é desvendar as motivações por detrás das compras e temos que colocar de lado a tentativa de provar que temos um bom produto ou serviço. Dedique mais tempo a entender o percurso do dinheiro nos sectores mais lucrativos e daí pode surgir o próximo negócio milionário. Vamos empreender?

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Como reciclar com a Xabindza?

Desde cedo aprendi a valorizar o prato de comida que tínhamos na mesa. Recordo-me como se fosse hoje cada vez que fazia birra para não terminar a comida e a minha mãe me recordava (com simpatia) que havia crianças passando fome, e o prato ficava limpo. Nos dias hoje, parece que a imagem de crianças famintas está esquecida e é cada vez maior a quantidade enorme de comida desperdiçada nas casas e restaurantes. A comida desperdiçada rapidamente se transforma em lixo, tal como os pedaços de hortícolas ou carne que não foram utilizados na sua confecção.

Para a nossa alegria, a Júbia Domingos, Sócia Gerente da Xabindza, concedeu uma mini entrevista para o Blog, onde apresenta-nos uma solução inovadora que vai minimizar o problema do lixo nos centros urbanos. Acompanhe a entrevista.

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Pergunta: Fale um pouco sobre a Xabindza

Resposta: Xabindza é a primeira start-up Moçambicana de biotecnologia para o processamento de resíduos orgánicos em sumplemento animal com alto valor proteíco para ração animal e fertilizante orgánico para produção vegetal através larvas de insecto da mosca de soldado negro. Estes resíduos orgánicos podem ser de origem animal ou vegetal, dentre quais o estrume de frango e restos de hortícolas e frutas que são perdas ao longo da cadeia de valor alimentar.

 

Pergunta: Qual é o actual cenário da reutilização dos resídios solídos em Maputo?

Resposta: A gestão dos resíduos orgânicos constitui um dos grandes desafios em países de baixa e média renda, e Maputo sendo a capital e a maioria cidade de Moçambique não é excepção, cerca de 25 500 toneladas de  resíduos são depositados na lixeira de Hulene.

Actualmente, este resíduos são depositados em aterros abertos, queimados, enterrados e uma infíma parte que é transformado em composto para fertilização dos solos. O motivo do actual cenário, prende-se ao facto de muitas pessoas não saberem que este pode ser transformado em recurso valiosa para agricultura, assim sendo, não fazem uma organização selectiva do mesmo, excepto o sector privado, em que existe uma empresa que fornece o serviço de gestão integrada de resíduos.

Neste contexto a Xabindza está comprometida a oferecer uma solução inovadora e sustentável para gestão de resíduos orgánicos na área de produção animal e nas médias-grandes (agro-processamento) a partir da sua transformação em produtos com valor comercial.

 

Pergunta: Como as mulheres podem ajudar a tornar o vosso trabalho possível?

Resposta: No nosso país as mulheres desempenham múltiplas funções, elas são mães, governantas das casas e por outro lado a maior parte está envolvida no comércio informal, particularmente na comercialização de hortícolas e frutas, produtos altamente perecíveis, constituindo a maior fracção de lixo encontrados em mercados urbanos.

Assim sendo, elas são um dos elementos fundamentais, pois ao adoptarem a organização selectiva dos resíduos orgánicos elas estarão contribuindo para a gestão sustentável destes e ao mesmo tempo contribuindo para maior disponibilização de insumos de produção mais acessíves para os produtos (frangos) que elas comercializam e ao mesmo tempo são usados na preparação das refeições familiares.

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No final, a minha convicção de que as mulheres têm o papel chave para o desenvolvimento do país tornou-se mais forte. Do que estamos a espera?

Para mais informações sobre a Xambidza:

Telemóvel: 844139748

E-mail: jubya.domingos@gmail.com

 

 

 

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Você pode resistir, mas um dia precisará de conselhos

Posso contar uma história? Eu conheci uma mulher que dizia ser perita em homens, sentia o cheiro de homem malandro a distância e jurava de pés juntos que nunca cairia nas garras de um sedutor. Imagine só, tempos depois a perita do amor estava num longo relacionamento abusivo com o homem dos seus sonhos e tinha vergonha de conversar com as amigas sobre o assunto, até que um dia cometeu suicídio. Esta é uma história de amor fictícia (Se alguma de vocês estiver num relacionamento abusivo procurem ajuda urgente), o tópico que quero tratar hoje é sobre a dificuldade que algumas empreendedoras enfrentam para pedir conselho profissional.

Na nossa jornada empreendedora a maior vilã dos nossos sonhos somos nós mesmas. Quando temos algum recurso financeiro ou conhecimento adquirido na Universidade, julgamos que temos o suficiente para começar um negócio. Tal como a perita do amor que mencionei no início do texto, muitas empreendedoras já se consideram peritas em negócios porque os seus rendimentos não param de crescer. Eu nem vou aprofundar a questão do rendimento e lucro, pois não sou especialista no assunto.

O que interessa aqui é reflectir até que ponto temos conhecimento ou habilidades suficientes para tomar decisões sobre o nosso negócio sem ajuda. Posso dar como exemplo algumas questões:

– Que tipo de negócio vou fazer?

– Qual é o nicho perfeito para o meu negócio?

– Como aplicar o rendimento do negócio?

– Quando é a altura de aumentar a equipa?

– Tenho medo de fracassar. O que faço?

No caso específico de uma empreendedora solo é poupo provável encontrar por si mesma as respostas para estas ou outras dúvidas que possam surgir tanto como no início, como no decorrer da jornada empreendedora. O mundo de negócios não é para solitários, temos ao nosso dispor redes de suporte para empreendedores, alguns de forma gratuita e outros que requerem investimento financeiro.

Quando planeava escrever este texto, já tinha em mente o nome da Kathy Jamisse de Araújo (Coach e Psicóloga) como uma fonte para esclarecer as minhas dúvidas sobre como escolher um profissional para receber aconselhamento profissional. Conheci a Kathy num evento de networking para mulheres empreendedoras (Women Entrepreneurs Hustles in Mozambique Breakfast , procure o grupo no facebook) e logo interessei-me em trocar pontos de vistas sobre o papel dos psicólogos no desenvolvimento pessoal de empreendedoras.

Como empreendedora, enfrentamos alguns momentos de dúvidas, sem saber o rumo a seguir e com a solução para os nossos problemas longe do nosso alcance. Nesse momento, o melhor é consultar um psicólogo, um pastor, um coach, um mentor, um curandeiro, um amigo ou um consultor de negócios?

De um modo geral, a escolha da rede de suporte depende da crença da empreendedora e do tipo de bloqueio que impende ultrapassar a situação. E como o empreendedorismo não tem respostas prontas, cada uma deve ser capaz de avaliar quando precisa de ajuda externa e escolher a fonte adequada para ultrapassar a situação ou alcançar o objectivo que pretende. Seja por instinto ou experiência pessoal, sempre teremos a resposta do que fazer quando precisamos de aconselhamento profissional. Talvez não vamos acertar na primeira escolha, e daí passamos para as outras opções até criarmos a nossa própria rede de suporte.

Durante a conversa eu tive a oportunidade de esclarecer uma dúvida que tenho a muito tempo. Afinal, qual é a diferença entre um mentor e um coach? Se você também tinha a mesma dúvida, aqui vai a resposta:

Um mentor é uma pessoa com experiência numa área de actuação e que passa a sua experiência para o empreendedor. Ele partilha os seus desafios e como foi a sua experiência pessoal de superação. Enquanto o Coach é um profissional certificado internacionalmente para dotar os seus clientes de ferramentas para atingir os objectivos estabelecidos. O coach não precisa ser da mesma área de actuação do cliente, pois actua no espaço presente para o futuro, sem necessariamente requerer ao passado.

Então, é verdade que precisamos correr riscos, cometer erros, mas empreendedoras à sério avaliam com cautela os riscos e tentam cometer menos erros possíveis. E isso só é possível se deixar cair a máscara de perita e ter humildade de pedir conselhos quando for necessário.

Quando foi a última vez que consultaste a tua rede de suporte? Partilhe nos comentários.

Evento: How to raise Money for your startup

Imagem: Divulgação

A falta de dinheiro é um dos principais motivos (desculpas) para adiarmos o nosso sonho de empreender. O capital é importante para a criação ou crescimento de negócios, sim, mas ainda temos dificuldade de avaliar quanto dinheiro precisamos, qual é a finalidade específica do montante, como vamos devolver, entre outras questões importantes. Por isso, a palestra How to raise Money for your startup (Como conseguir dinheiro para a sua startup – tradução livre) com Eric Osiakwan managing partner da Chanzo Capital, foi um evento concorrido para empreendedores. A apresentação era em inglês e teve lugar no Orange Corners, no dia 02 de Agosto de 2018, das 17h as 19h. O evento foi organizado pela Idealab, Chanzo Capital e Angels of Africa.

Algumas lições que tive na palestra “How to raise Money for your startup

  1. Conseguir dinheiro para o seu negócio é uma arte de construir laços e confiança. Conseguimos dinheiro de alguém que nos conhece e confia em nós.
  2. Construir laços leva tempo e requer investimentos.
  3. A melhor altura de procurar dinheiro é quando não precisa dele.
  4. Escolha o tipo de investidor que precisa para o seu negócio, senão pode receber dinheiro de uma empresa errada.
  5. Não leve dinheiro de alguém porque está a oferecer ajuda ou pode ter acesso facilmente. As vezes, muito dinheiro pode distrair o empreendedor e começar a efectuar despesas sem disciplina. Por isso não leve mais dinheiro para além do que precisa.
  6. Os investidores avaliam startups através dos seguintes critérios: Produto único, rentabilidade do mercado e qualidade de execução da equipa.
  7. Existem diferentes tipos de investidores: Investidores anjo, família amigos e parvos, capital de risco (venture capital), capital de crescimento (growth capitl), capital de investimento (private equity), mercados de capitais (capital markets). Analisar a fase do seu negócio que corresponde ao tipo de investidor, tendo em conta que cada tipo de investidor tem os seus próprios critérios de avaliação e exigências.
  8. O capital inicial do seu negócio é para produzir o produto ou serviço e normalmente não tem retorno. Por isso evite pedir dinheiro nessa fase, peça dinheiro para custos operacionais do negócio.
  9. Prepare o seu contacto com investidores com a história da sua motivação para começar o negócio, documentos sobre o negócio e pesquisa sobre o investidor. Se não tiver a cultura de documentar o seu próprio dinheiro, como vai documentar o dinheiro do investidor?
  10. Dê seguimento e esteja muito engajada com o processo de investimento, seja flexível e útil.

Particularmente, fiquei muito enriquecida com a palestra, pois existe uma lista enorme de de fontes de financiamento. Mais uma vez foi destacado a importância dos eventos de networking como oportunidade para iniciar ou fortalecer laços com poteciais investidores.

E para finalizar, partilho a minha frase favorita do evento:

Se pedires aconselhamento, recebes dinheiro. Se pedires dinheiro, recebes aconselhamento.