featured pic (5)

Como reciclar com a Xabindza?

Desde cedo aprendi a valorizar o prato de comida que tínhamos na mesa. Recordo-me como se fosse hoje cada vez que fazia birra para não terminar a comida e a minha mãe me recordava (com simpatia) que havia crianças passando fome, e o prato ficava limpo. Nos dias hoje, parece que a imagem de crianças famintas está esquecida e é cada vez maior a quantidade enorme de comida desperdiçada nas casas e restaurantes. A comida desperdiçada rapidamente se transforma em lixo, tal como os pedaços de hortícolas ou carne que não foram utilizados na sua confecção.

Para a nossa alegria, a Júbia Domingos, Sócia Gerente da Xabindza, concedeu uma mini entrevista para o Blog, onde apresenta-nos uma solução inovadora que vai minimizar o problema do lixo nos centros urbanos. Acompanhe a entrevista.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Pergunta: Fale um pouco sobre a Xabindza

Resposta: Xabindza é a primeira start-up Moçambicana de biotecnologia para o processamento de resíduos orgánicos em sumplemento animal com alto valor proteíco para ração animal e fertilizante orgánico para produção vegetal através larvas de insecto da mosca de soldado negro. Estes resíduos orgánicos podem ser de origem animal ou vegetal, dentre quais o estrume de frango e restos de hortícolas e frutas que são perdas ao longo da cadeia de valor alimentar.

 

Pergunta: Qual é o actual cenário da reutilização dos resídios solídos em Maputo?

Resposta: A gestão dos resíduos orgânicos constitui um dos grandes desafios em países de baixa e média renda, e Maputo sendo a capital e a maioria cidade de Moçambique não é excepção, cerca de 25 500 toneladas de  resíduos são depositados na lixeira de Hulene.

Actualmente, este resíduos são depositados em aterros abertos, queimados, enterrados e uma infíma parte que é transformado em composto para fertilização dos solos. O motivo do actual cenário, prende-se ao facto de muitas pessoas não saberem que este pode ser transformado em recurso valiosa para agricultura, assim sendo, não fazem uma organização selectiva do mesmo, excepto o sector privado, em que existe uma empresa que fornece o serviço de gestão integrada de resíduos.

Neste contexto a Xabindza está comprometida a oferecer uma solução inovadora e sustentável para gestão de resíduos orgánicos na área de produção animal e nas médias-grandes (agro-processamento) a partir da sua transformação em produtos com valor comercial.

 

Pergunta: Como as mulheres podem ajudar a tornar o vosso trabalho possível?

Resposta: No nosso país as mulheres desempenham múltiplas funções, elas são mães, governantas das casas e por outro lado a maior parte está envolvida no comércio informal, particularmente na comercialização de hortícolas e frutas, produtos altamente perecíveis, constituindo a maior fracção de lixo encontrados em mercados urbanos.

Assim sendo, elas são um dos elementos fundamentais, pois ao adoptarem a organização selectiva dos resíduos orgánicos elas estarão contribuindo para a gestão sustentável destes e ao mesmo tempo contribuindo para maior disponibilização de insumos de produção mais acessíves para os produtos (frangos) que elas comercializam e ao mesmo tempo são usados na preparação das refeições familiares.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

No final, a minha convicção de que as mulheres têm o papel chave para o desenvolvimento do país tornou-se mais forte. Do que estamos a espera?

Para mais informações sobre a Xambidza:

Telemóvel: 844139748

E-mail: jubya.domingos@gmail.com

 

 

 

featured pic (1)

Você pode resistir, mas um dia precisará de conselhos

Posso contar uma história? Eu conheci uma mulher que dizia ser perita em homens, sentia o cheiro de homem malandro a distância e jurava de pés juntos que nunca cairia nas garras de um sedutor. Imagine só, tempos depois a perita do amor estava num longo relacionamento abusivo com o homem dos seus sonhos e tinha vergonha de conversar com as amigas sobre o assunto, até que um dia cometeu suicídio. Esta é uma história de amor fictícia (Se alguma de vocês estiver num relacionamento abusivo procurem ajuda urgente), o tópico que quero tratar hoje é sobre a dificuldade que algumas empreendedoras enfrentam para pedir conselho profissional.

Na nossa jornada empreendedora a maior vilã dos nossos sonhos somos nós mesmas. Quando temos algum recurso financeiro ou conhecimento adquirido na Universidade, julgamos que temos o suficiente para começar um negócio. Tal como a perita do amor que mencionei no início do texto, muitas empreendedoras já se consideram peritas em negócios porque os seus rendimentos não param de crescer. Eu nem vou aprofundar a questão do rendimento e lucro, pois não sou especialista no assunto.

O que interessa aqui é reflectir até que ponto temos conhecimento ou habilidades suficientes para tomar decisões sobre o nosso negócio sem ajuda. Posso dar como exemplo algumas questões:

– Que tipo de negócio vou fazer?

– Qual é o nicho perfeito para o meu negócio?

– Como aplicar o rendimento do negócio?

– Quando é a altura de aumentar a equipa?

– Tenho medo de fracassar. O que faço?

No caso específico de uma empreendedora solo é poupo provável encontrar por si mesma as respostas para estas ou outras dúvidas que possam surgir tanto como no início, como no decorrer da jornada empreendedora. O mundo de negócios não é para solitários, temos ao nosso dispor redes de suporte para empreendedores, alguns de forma gratuita e outros que requerem investimento financeiro.

Quando planeava escrever este texto, já tinha em mente o nome da Kathy Jamisse de Araújo (Coach e Psicóloga) como uma fonte para esclarecer as minhas dúvidas sobre como escolher um profissional para receber aconselhamento profissional. Conheci a Kathy num evento de networking para mulheres empreendedoras (Women Entrepreneurs Hustles in Mozambique Breakfast , procure o grupo no facebook) e logo interessei-me em trocar pontos de vistas sobre o papel dos psicólogos no desenvolvimento pessoal de empreendedoras.

Como empreendedora, enfrentamos alguns momentos de dúvidas, sem saber o rumo a seguir e com a solução para os nossos problemas longe do nosso alcance. Nesse momento, o melhor é consultar um psicólogo, um pastor, um coach, um mentor, um curandeiro, um amigo ou um consultor de negócios?

De um modo geral, a escolha da rede de suporte depende da crença da empreendedora e do tipo de bloqueio que impende ultrapassar a situação. E como o empreendedorismo não tem respostas prontas, cada uma deve ser capaz de avaliar quando precisa de ajuda externa e escolher a fonte adequada para ultrapassar a situação ou alcançar o objectivo que pretende. Seja por instinto ou experiência pessoal, sempre teremos a resposta do que fazer quando precisamos de aconselhamento profissional. Talvez não vamos acertar na primeira escolha, e daí passamos para as outras opções até criarmos a nossa própria rede de suporte.

Durante a conversa eu tive a oportunidade de esclarecer uma dúvida que tenho a muito tempo. Afinal, qual é a diferença entre um mentor e um coach? Se você também tinha a mesma dúvida, aqui vai a resposta:

Um mentor é uma pessoa com experiência numa área de actuação e que passa a sua experiência para o empreendedor. Ele partilha os seus desafios e como foi a sua experiência pessoal de superação. Enquanto o Coach é um profissional certificado internacionalmente para dotar os seus clientes de ferramentas para atingir os objectivos estabelecidos. O coach não precisa ser da mesma área de actuação do cliente, pois actua no espaço presente para o futuro, sem necessariamente requerer ao passado.

Então, é verdade que precisamos correr riscos, cometer erros, mas empreendedoras à sério avaliam com cautela os riscos e tentam cometer menos erros possíveis. E isso só é possível se deixar cair a máscara de perita e ter humildade de pedir conselhos quando for necessário.

Quando foi a última vez que consultaste a tua rede de suporte? Partilhe nos comentários.

Evento: How to raise Money for your startup

Imagem: Divulgação

A falta de dinheiro é um dos principais motivos (desculpas) para adiarmos o nosso sonho de empreender. O capital é importante para a criação ou crescimento de negócios, sim, mas ainda temos dificuldade de avaliar quanto dinheiro precisamos, qual é a finalidade específica do montante, como vamos devolver, entre outras questões importantes. Por isso, a palestra How to raise Money for your startup (Como conseguir dinheiro para a sua startup – tradução livre) com Eric Osiakwan managing partner da Chanzo Capital, foi um evento concorrido para empreendedores. A apresentação era em inglês e teve lugar no Orange Corners, no dia 02 de Agosto de 2018, das 17h as 19h. O evento foi organizado pela Idealab, Chanzo Capital e Angels of Africa.

Algumas lições que tive na palestra “How to raise Money for your startup

  1. Conseguir dinheiro para o seu negócio é uma arte de construir laços e confiança. Conseguimos dinheiro de alguém que nos conhece e confia em nós.
  2. Construir laços leva tempo e requer investimentos.
  3. A melhor altura de procurar dinheiro é quando não precisa dele.
  4. Escolha o tipo de investidor que precisa para o seu negócio, senão pode receber dinheiro de uma empresa errada.
  5. Não leve dinheiro de alguém porque está a oferecer ajuda ou pode ter acesso facilmente. As vezes, muito dinheiro pode distrair o empreendedor e começar a efectuar despesas sem disciplina. Por isso não leve mais dinheiro para além do que precisa.
  6. Os investidores avaliam startups através dos seguintes critérios: Produto único, rentabilidade do mercado e qualidade de execução da equipa.
  7. Existem diferentes tipos de investidores: Investidores anjo, família amigos e parvos, capital de risco (venture capital), capital de crescimento (growth capitl), capital de investimento (private equity), mercados de capitais (capital markets). Analisar a fase do seu negócio que corresponde ao tipo de investidor, tendo em conta que cada tipo de investidor tem os seus próprios critérios de avaliação e exigências.
  8. O capital inicial do seu negócio é para produzir o produto ou serviço e normalmente não tem retorno. Por isso evite pedir dinheiro nessa fase, peça dinheiro para custos operacionais do negócio.
  9. Prepare o seu contacto com investidores com a história da sua motivação para começar o negócio, documentos sobre o negócio e pesquisa sobre o investidor. Se não tiver a cultura de documentar o seu próprio dinheiro, como vai documentar o dinheiro do investidor?
  10. Dê seguimento e esteja muito engajada com o processo de investimento, seja flexível e útil.

Particularmente, fiquei muito enriquecida com a palestra, pois existe uma lista enorme de de fontes de financiamento. Mais uma vez foi destacado a importância dos eventos de networking como oportunidade para iniciar ou fortalecer laços com poteciais investidores.

E para finalizar, partilho a minha frase favorita do evento:

Se pedires aconselhamento, recebes dinheiro. Se pedires dinheiro, recebes aconselhamento.

 

 

 

featured pic

Nem todos vão apoiar o seu sonho, aprenda a viver com isso

Nós somos seres sociais, estamos em constante interação uns com os outros. Seja um  breve contacto ocasional ou convivência duradoura, estabelecemos conexões verdadeiras  com  familiares, amigos, colegas de trabalho e até com desconhecidos na fila do supermercado.  E enquanto ouvimos com atenção histórias conhecidas, também sentimos necessidade de partilhar nossos sonhos e planos.

Mas até que ponto um momento de descontração, pode se transformar num pesadelo  quando vemos reacções negativas quando partilhamos o nosso sonho de ser empreendedora. Não importa se estamos na fase de ideia de negócio ou com um negócio estabelecido, sentimos necessidade de partilhar nossa jornada. Este texto tem foco a ansiedade de partilhar o plano de empreender ainda na primeira fase, a ideia.

Em conversa com uma colega do Yali (Programa de formação de Jovens líderes africanos), foi comum para nós duas descrever como essa experiência de partilha da vontade de empreender, pode abalar com a nossa autoconfiança. No nosso interior, nós sabemos o que queremos, mas é a natureza humana buscar aprovação de pessoas, principalmente aquelas que são importantes na nossa vida.

No entanto, se ainda não sabe, uma das regras básicas da vida é que não é possível agradar a todos. Em algum momento vai partihar o seu sonho e se arrepender por isso. Ou estará no meio de uma conversa e receber uma crítica desagradável que vai lhe apetecer ser grosseira (nunca faça isso). A outra verdade, é que nós não temos controle da atitude alheia, podemos nos  prevenir de pessoas rudes ou reagir sem perder a classe.

As pessoas são diferentes, mesmo alguém tão próxima de si  como a sua mãe ou a sua irmã, pode ser jogar um balde de água quando falares sobre o seu sonho. Não se desespere, veja o que eu tenho a partilhar para tornar a sua experiência menos traumática.

  1. Avalie o objectivo da partilha de informação

Todos temos ideias de negócios, se vai partilhar com alguém precisa saber o que pretende. Algumas alternativas são: quer testar se a ideia é nova, procura uma co- fundadora ou investimento, quer recomendação  de fornecedores ou apoio técnico, etc.

 

  1. Identifique o momento oportuno

Existe momento certo para tudo e conhecer um momento oportuno para partilhar uma informação pode trazer bons resultados. Imagine que a sua amiga está numa fase sensível no relacionamento e ainda queres atenção para falar sobre a sua ideia de negócio. Não posso descrever o momento específico, porque depende da pessoa com quem queremos partilhar e o grau de afinidade. No meu caso, eu tinha um canto de criatividade, onde reunia com minhas irmãs para falar sobre as minhas ideias.  E de lá saiu novas versões do Olá Nana e uma lista enorme de ideias foi rejeitada.

 

  1. Escolha com quem partilha a informação

Eu já li em muitos artigos de histórias de empreendedores que devemos partilhar as nossas ideias com familiares e amigos. Particularmente, não levo esse conselho a letra. Nem sempre pessoas próximas possuem informações suficientes sobre o assunto para dar um contributo saudável para a sua ideia de negócio.

O seu objectivo de partilha da informação, vai ajudar melhor a escolher com quem compartilhar. Eu tinha pouco acesso ao público infantil, por isso as minhas irmãs pré-adolescentes eram excelentes fontes para avaliar o problema da educação no ensino primário.

 

  1. Esteja preparada para respostas negativas

A preparação para a conversa sobre a sua ideia de negócio começa por listar possíveis perguntas sobre o assunto e já ter as resposta na ponta da língua. Nem sempre as pessoas dúvidam da nossa ideia de má fé. Não tome a resposta como um ataque pessoa, a ideia pode não estar clara para a pessoa que recebe a informação. Quando se trata de negócio, o público alvo, formas de geração de rendimentos e recursos disponíveis devem ser fácil de entender. Ao longo da conversa responda as dúvidas com clareza, se receber um comentário indesejado pode optar por encerrar o assunto.

No final, estamos a falar de relações humanas e nem sempre a conversa corre como planeada. Não desista de falar sobre a sua ideia de negócio, quanto mais praticar falar da sua ideia, encontrará os pontos fracos que pode ajustar para colocar um produto ou serviço melhor no mercado.

featured pic (6)

5 maneiras de reciclar com a Victória Caetano

Hoje inicia o oitavo mês do ano, tempo de recarregar as energias para cumprir as metas do ano. A minha lista de desejos para 2018 está um pouco atrasada, mas com muito trabalho chegamos lá. Uma das minhas metas é organizar uma lista completa de pontos de reciclagem das embalagens que adquirimos e o lixo que produzimos no nosso dia a dia.

O que tenho feito para alcançar essa meta? Procuro pessoas e instituições que reciclam materiais e partilho aqui no blog. Parece que a Mozarte é o meu ponto de encontro com mulheres que trabalham com reciclagem, foi lá onde conheci a Victória Caetano.

Na nossa recente conversa, a Victória partilhou comigo que frequentou o curso de Papel Reciclado em 2012 na Mozarte, num programa de capacitação patrocinado pela Unesco. Embora a sua primeira opção tivesse sido o curso de corte e costura, agarrou a oportunidade de aprender a trabalhar com papel reciclado e hoje é uma das principais artistas da casa nessa área.

A primeira obra que conheci da Victória, foi a tigela para decoração produzida a partir da reciclagem de caixa de ovos. Fiquei feliz por ter encontrado um melhor destino para as caixas de ovos que eu estava a acumular em casa.

E claro, eu não poderia deixar passar a oportunidade de conhecer outros materiais que ela precisa para trabalhar. Vamos anotar?

  1. Jornal/Revistas
  2. Papel (desde folhas a caixas de papelão)
  3. Garrafas plásticas
  4. Retalhos de capulana
  5. Caixas de ovos

Os artigos da lista são utilizados na produção de bijuterias, acessórios e objectos de decoração, com destaque para pulseiras, brincos, porta-joias, tigelas personalizadas, porta retratos, porta caneta, pastas escolares e mais. Se visitar a loja da Mozarte é possível apreciar e comprar as peças produzidas pela Vicória Caetano.

Para mais informações sobre a Victória Caetano:

Endereço: Mozarte- Centro de Recursos Juvenis, Av. Filipe S. Magaia, 522- Maputo

Telemóvel: 840415799