Pense em mudar, você não é uma árvore

                      Se não gosta de onde você está, mova-se! Você não é uma árvore.    Jim Rohn

Por que será que o povo moçambicano tem tanto medo de mudança? A alguns anos um comerciante tanzaniano disse-me que os moçambicanos tem medo de sair da asas da mãe, preferem sofrer na terra natal, enquanto tem oportunidades por explorar pelo mundo a fora. Hoje eu concordo com ele. Mas de onde vem tanto medo?

Imagina só, estou a uma semana no Porto e já vi uma loja chinesa e um restaurante brasileiro, mas nem sequer um sinal de negócio ou arte de Moçambique. As vezes penso que somos tão egoístas que não queremos partilhar a nossa maior riqueza com os outros. Qual é a nossa maior riqueza? Não qual, quem? Somos nós mesmas.

Já passa um ano que mudei de cidade e queria muito falar aqui no blog sobre esta experiência. Mudanças trazem dor, seja mudança de casa, de emprego, de cidade ou de país. Mover de um lugar para outro, significa de dizer adeus a momentos e pessoas que preencheram um espaço na nossa vida. E, embora o instinto diga que a mudança é para algo melhor, o medo nos acompanha até o momento que aprendemos a com nossas escolhas.

O espaço que escolhemos para viver e trabalhar transmite energias que são fundamentais para o nosso bem-estar. Lembre-se que você não é uma árvore, que foi plantada num terreno fértil e que se alguém decidir não regar, acaba por murchar. Você é humana, tem um potencial para explorar e precisa estar num ambiente que te dê liberdade para ser e fazer o que gostas.

Ser empreendedora, significa que estamos atentas não somente para oferecer ao mundo soluções de negócios, como também receber dos clientes, da família e até mesmo do Estado, condições satisfatórias para desenvolver o nosso espírito empreendedor. Mesmo que isso nos leve a mudar de casa, cidade ou país. O medo de mudança acontece só uma vez, depois descobrimos que podemos viver e fazer negócios em qualquer parte do mundo. Vamos empreender?

Mulheres com multi potencialidades. Heroínas ou vilãs?

Hoje eu tenho um pequeno exercício para si, tente responder em menos de cinco minutos. Escreva numa folha em uma palavra: como gostaria de ser recordada daqui a 100 anos.  Fácil, não é?

Eu tive essa questão na primeira semana de formação no YALI África do Sul e até hoje recordo-me da gargalhada que soltamos quando chegou a minha vez de partilhar a resposta com o colega ao lado. A minha resposta foi ….. LOUCA.

Eu passei grande parte da minha vida ouvindo que sou louca, principal no meio de conversas sobre empreendedorismo. Quando essa palavra vem em tom de riso e de pessoas que são importantes na nossa vida, não há porquê levar a mal. Por isso dediquei tempo explorando a minha loucura e dei de caras com uma palavra interessante: Multipotencialidade.

Uma pessoa com multipotencialidade explora múltiplas áreas de conhecimento que culmina no desenvolvimento de diferentes profissões, hobbies ou projectos. Em muitos casos as actividades executadas por pessoas multi potenciais são de áreas completamente diferentes e elas estão envolvidas em novos projectos constantemente.

Embora o termo seja pouco utilizado em Moçambique, facilmente encontramos profissionais multi potenciais involuntários no país. Isto é, talvez já tenha visto uma jovem que aprende um ofício (cuidar de unhas) para próprio sustento devido a falta de emprego, depois consegue emprego numa área diferente e posteriormente inicia um curso universitário noutra área. No final do dia, temos uma profissional com diferentes habilidades e com capacidade de executar cada tarefa com excelência. Eu não me considero multi potencial involuntária, pois tenho adquirido novas habilidades por interesse e esse processo acontece desde a infância. Sempre acreditei na busca do conhecimento como um caminho para sucesso na vida pessoal ou profissional.

Pelo que percebi de leituras sobre o tema, as pessoas com multi potencialidade sentem dificuldade de ajustar-se no mercado como empregados por conta de outrem, pois um CV com múltiplas experiências são considerados confusos pelos empregadores. Enquanto que empreendedores multi potenciais possuem a inovação, criatividade e flexibilidade necessárias para o crescimento dos negócios. Pela minha experiência, quando a pessoa não reconhece ou tem dificuldade de gerir a multi potencialidade é a linha que divide o ponto positivo de novas descobertas e a dita “loucura”.

E então, vamos parar de olhar o mundo como um laboratório em busca de novas experiências e ter foco numa única profissão ou negócio? A minha resposta é não. Não abdique do prazer de explorar novos caminhos profissionais, aprenda a gerir o tempo e defina estratégias para aplicar a multi potencialidade a seu favor (ganhar muito dinheiro). E como sempre, se não conseguir encontrar as respostas sozinha, procure apoio profissional. Vamos empreender?

 

Qual é a melhor idade para começar um negócio?

Diariamente nós fazemos escolhas. As escolham pode ser sobre a roupa que vamos vestir, o tipo de pequeno-almoço, a lista de tarefas do trabalho e por aí em diante. Certas escolhas exigem-nos maior cautela porque tem impacto na nossa vida a médio e longo prazo. Iniciar um negócio é uma escolha que não deve ser tomada de ânimo leve, pois afecta-nos muito mais do que imaginamos. O nosso bem mais precioso, a SAÚDE, fica em risco quando simplesmente colocamos de lado essa pergunta: quando vou começar o meu negócio?

Este mês é dedicado a campanha Setembro Amarelo, uma iniciativa global de prevenção ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, problemas de saúde mental como a depressão, perturbações de personalidade, abuso de álcool e de substâncias são factores de riscos para o suicídio. A minha atenção vai para a depressão, uma doença que evitamos falar, diagnosticar e procurar tratamento, pois em Moçambique ainda é tabu falar sobre saúde mental.

A OMS define a depressão como:

um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração.

Imagino que você deve estar a se perguntar: Mas qual é a relação entre depressão e empreendedorismo? Uma das características da depressão é a tristeza, um dos melhores textos que já li sobre a tristeza foi do Dr. Miguel Lucas, que afirma que a tristeza “obriga-nos” a dar atenção a algo que precisa ser resolvido, melhorado ou compreendido. Então, como uma empreendedora pode resolver o problema do cliente e deixar de lado o cuidado de si mesma? Já parou para pensar se a tristeza que sente ou sentiu está relacionada com a sua escolha profissional? Se a resposta for positiva, é altura de procurar ajuda profissional para reverter a situação.

Quanto a melhor idade para começar um negócio, também encontro uma relação com a saúde mental. Na minha opinião a melhor idade para começar um negócio é entre os 18 aos 25 anos de idade. Nesta fase a mulher maior capacidade para adquirir novas habilidades, busca ajuda com facilidade e tem mais foco no desenvolvimento profissional. Pelo que tenho observado no quotidiano e nas redes sociais, as mulheres desta faixa etária falam abertamente sobre a saúde mental, já desenvolveram muitas habilidades positivas para empreendedoras, tais como: auto conhecimento, pensamento crítico, negociação, falar em público, criatividade e flexibilidade.

Enquanto escrevia este texto, recordei-me das vezes que ficava em frente ao espelho enquanto me preparava para mais um dia de trabalho e sussurrava para mim mesma “Estás velha para isso”. Eu concordei comigo mesma e resolvi utilizar essa “velhice” como força (experiência) para o negócio.

No final, a minha mensagem é:

Escolha quando vai começar um negócio o mais cedo possível. A sua saúde mental também conta. Pode ter 20 anos e decidir que vai começar o negócio aos 25, 30 ou 40, o importante é dedicar algum tempo para preparar-se emocional e financeiramente para ter o seu próprio negócio.

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Seja a fonte de inspiração para as mulheres

Já passam mais de um mês desde que participei no Pequeno-almoço de Mulheres Empreendedoras (Female Entrepreneurs Hustle in Mozambique Breakfast). Nós partilhamos contactos, escutamos duas histórias de mulheres de gerações diferentes e percebi que a fonte de inspiração para o negócio está mais perto do que imaginamos.

Quem são as primeiras mulheres que conhecemos na vida? Para a maioria a resposta seria Mão, mas também há aquelas que tem o primeiro contacto com a avó, a tia ou irmã. As mulheres que fazem parte de nossas vidas são forte influência de quem somos. Infelizmente, estamos recorrendo menos à elas quando precisamos de inspiração para iniciar um novo negócio.

É frequente encontrar histórias de mulheres que começaram negócios inspirados em mulheres de sua família. A Elizabete, fundadora da Dílicia Krioula brindou os moçambicanos com ricos doces e pratos da cultura São tomense com as receitas que aprendeu com a avô. A Ximeliana, proprietária da Mel Buquês é um outro exemplo do amor pelas flores transmitido de mãe para filhas, que hoje transporta a beleza da natureza para casas e eventos. A inspiração das mulheres não se limita apenas à escolha do tipo de negócio, podemos seguir a forma que as mulheres se relacionam na família, no trabalho, em público e principalmente como ultrapassam pequenos e grandes desafios.

Não é possível ter apenas uma fonte de inspiração na vida. Já diz o provérbio Africano:

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.

Todas nós podemos ser fonte de inspiração uma das outras, cada uma a sua maneira. Por isso temos que falar e partilhar informações positivas sobre mulheres. As minhas dicas são:
– Elogie as mulheres da sua vida com frequência,
– Siga mulheres nas redes sociais
– Conheça novas mulheres
– Participe activamente nos grupos de mulheres
– Nunca partilhe mensagens ofensivas sobre mulheres

Poderia fazer uma lista interminável de como podemos fortalecer outras mulheres, mas o mais importante é sermos o motivo de inspiração para mulheres conquistarem um espaço digno na sociedade. Isso depende de nós e ninguém pode fazer melhor do que nós mesmas.
Partilhe o que tens feito para inspirar as mulheres.

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Você pode resistir, mas um dia precisará de conselhos

Posso contar uma história? Eu conheci uma mulher que dizia ser perita em homens, sentia o cheiro de homem malandro a distância e jurava de pés juntos que nunca cairia nas garras de um sedutor. Imagine só, tempos depois a perita do amor estava num longo relacionamento abusivo com o homem dos seus sonhos e tinha vergonha de conversar com as amigas sobre o assunto, até que um dia cometeu suicídio. Esta é uma história de amor fictícia (Se alguma de vocês estiver num relacionamento abusivo procurem ajuda urgente), o tópico que quero tratar hoje é sobre a dificuldade que algumas empreendedoras enfrentam para pedir conselho profissional.

Na nossa jornada empreendedora a maior vilã dos nossos sonhos somos nós mesmas. Quando temos algum recurso financeiro ou conhecimento adquirido na Universidade, julgamos que temos o suficiente para começar um negócio. Tal como a perita do amor que mencionei no início do texto, muitas empreendedoras já se consideram peritas em negócios porque os seus rendimentos não param de crescer. Eu nem vou aprofundar a questão do rendimento e lucro, pois não sou especialista no assunto.

O que interessa aqui é reflectir até que ponto temos conhecimento ou habilidades suficientes para tomar decisões sobre o nosso negócio sem ajuda. Posso dar como exemplo algumas questões:

– Que tipo de negócio vou fazer?

– Qual é o nicho perfeito para o meu negócio?

– Como aplicar o rendimento do negócio?

– Quando é a altura de aumentar a equipa?

– Tenho medo de fracassar. O que faço?

No caso específico de uma empreendedora solo é poupo provável encontrar por si mesma as respostas para estas ou outras dúvidas que possam surgir tanto como no início, como no decorrer da jornada empreendedora. O mundo de negócios não é para solitários, temos ao nosso dispor redes de suporte para empreendedores, alguns de forma gratuita e outros que requerem investimento financeiro.

Quando planeava escrever este texto, já tinha em mente o nome da Kathy Jamisse de Araújo (Coach e Psicóloga) como uma fonte para esclarecer as minhas dúvidas sobre como escolher um profissional para receber aconselhamento profissional. Conheci a Kathy num evento de networking para mulheres empreendedoras (Women Entrepreneurs Hustles in Mozambique Breakfast , procure o grupo no facebook) e logo interessei-me em trocar pontos de vistas sobre o papel dos psicólogos no desenvolvimento pessoal de empreendedoras.

Como empreendedora, enfrentamos alguns momentos de dúvidas, sem saber o rumo a seguir e com a solução para os nossos problemas longe do nosso alcance. Nesse momento, o melhor é consultar um psicólogo, um pastor, um coach, um mentor, um curandeiro, um amigo ou um consultor de negócios?

De um modo geral, a escolha da rede de suporte depende da crença da empreendedora e do tipo de bloqueio que impende ultrapassar a situação. E como o empreendedorismo não tem respostas prontas, cada uma deve ser capaz de avaliar quando precisa de ajuda externa e escolher a fonte adequada para ultrapassar a situação ou alcançar o objectivo que pretende. Seja por instinto ou experiência pessoal, sempre teremos a resposta do que fazer quando precisamos de aconselhamento profissional. Talvez não vamos acertar na primeira escolha, e daí passamos para as outras opções até criarmos a nossa própria rede de suporte.

Durante a conversa eu tive a oportunidade de esclarecer uma dúvida que tenho a muito tempo. Afinal, qual é a diferença entre um mentor e um coach? Se você também tinha a mesma dúvida, aqui vai a resposta:

Um mentor é uma pessoa com experiência numa área de actuação e que passa a sua experiência para o empreendedor. Ele partilha os seus desafios e como foi a sua experiência pessoal de superação. Enquanto o Coach é um profissional certificado internacionalmente para dotar os seus clientes de ferramentas para atingir os objectivos estabelecidos. O coach não precisa ser da mesma área de actuação do cliente, pois actua no espaço presente para o futuro, sem necessariamente requerer ao passado.

Então, é verdade que precisamos correr riscos, cometer erros, mas empreendedoras à sério avaliam com cautela os riscos e tentam cometer menos erros possíveis. E isso só é possível se deixar cair a máscara de perita e ter humildade de pedir conselhos quando for necessário.

Quando foi a última vez que consultaste a tua rede de suporte? Partilhe nos comentários.