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Pensa em desistir dos teus sonhos? Antes disso, leia esse texto.

Sempre chega aquele momento na vida que dá vontade de desistir dos sonhos. Crianças, jovens e adultos desistem de pequenos e grandes sonhos. Desde organizar uma festa de pijama à iniciar um negócios. Se me perguntar se alguma vez abri mão de algo que sonhava, pode esperar uma lista enorme. Eu desiste de dançar ballet, desisti de ler dedicatórias no programa de rádio, desisti de escrever, desiste de estudar o curso que queria e provalmente o que custou-me mais foi ter desistido de mim.

Tal como eu, você pode ter se conformado com o rumo que a vida deu e não se questionou: por que desiste do meu sonho? Acredita em mim, esta não é a principal pergunta que deves fazer no momento. O mais importante importante é saber qual é o teu sonho?

Desde pequenos somos expostos a diferentes informações sobre a família, a escola, a carreira profissional, a religião, o estilo de vida e por aí em diante. É daí que surge os primeiros sonhos: quando crescer quer ter quatro filhos como a minha mãe, quando crescer quero ser professor como meu pai, quando crescer quero uma casa de dois andares como o meu tio que vive na Polana, quando crescer quero ter cabelos longos como a Cher (Oh, o cabelão da Cher, quem menina não sonho com eles), e tantas outras afirmações cheias de convicção.

A maioria de nós, sortudas crianças dos anos 90, não teve contacto com profissionais de orientação vocacional ou mentores na família que nos ajudassem a analisar quais eram os nossos sonhos ou a planear o futuro de forma individualizada. A nossa educação, tanto familiar como escolar, foi um pouco “despachada”. É como se a cidade estivesse coberta de outdoors com as frases: “estude muito para encontrar um emprego”, “case e tenha filhos antes dos 25 anos”, “Meninas tiram cursos de letras e meninos de ciências”, “Homens podem ter mais que 2 duas mulheres”. Por diversos motivos, como por ex: a situação política, económica e social, o país não tinha tempo para filosofias de vida, nós precisávamos de comida. Naquele tempo, suponho, a arte, a filosofia, a psicologia não eram prioridades, mas sim médicos, engenheiros e economistas.

E sabe, até certo momento, esse processo de compactar mentes humanos funcionou, éramos felizes com os sonhos que nos foram atribuídos. Até que um dia, foi-nos revelado a verdade ou alguém nos autorizou a sonhar. E como por magia, os medias, as campanhas publicitárias, até os políticos passaram a incentivar-nos a correr atrás dos nossos sonhos.

Que grande conquista. Jovens de família pobre já podem ser empreendedores. Mulheres podem ter o primeiro filho depois dos 30. Nem todos precisam seguir medicina, se o teu sonho é ser cantor, siga em frente. Porém, fomos nessa corrida pelos nossos sonhos cegos, sozinhos, descalços e sem um mapa. E o que ganhamos com isso? Expressões de zombo, arrependimento e frustrações. “Eu não te avisei? Quem és tu para ter um negócio?”, “Eu sabia, não devia ter largado a escola para ir cantar na Europa”, “Ah, se eu tivesse escutado o meu pai”, esses são alguns pensamentos que assombram os sonhadores quando desistem dos seus sonhos.

No passado, fui assombrada por pensamentos similares, até que aprendi que não há nada de errado em sonhar e correr atrás dos sonhos. A verdade é que as coisas podem correr mal, seja seguindo o nosso instinto ou seguir a letra o que a sociedade nos ensina. Todas escolhas tem o risco de dar certo, como não.

Se algo corre mal, não significa que é errado sonhar. Imaturidade, recursos financeiros insuficientes, experiência limitada, pessoas inedequadas ao nosso redor e outros motivos podem estar detrás do fracasso dos sonhos. Descobrir o que correu mal e tentar de novo, é a opção dos sonhadores que me inspiro diariamente.

Por isso, encontre o teu sonho mais profundo, aprenda com as pessoas que enfrentaram dificuldades e busque ajuda (gratuita ou paga). Você vai errar, pensar em desistir, adiar, mas um dia o sonho será realizado.

Se o teu sonho é empreender, continue ligada ao blog e escreva uma mensagem sempre que precisar. Vamos sonhar?

Novo Ano, Novo Eu. Minha lista de resoluções para 2019

Ano novo, nova vida. A velha promessa de sempre. No novo ano vou: começar a dieta, continuar com os estudos, praticar um desporto, viajar para o meu país de sonhos. Qual foi a tua resolução do Ano Novo?

Eu vi algumas mensagens no whatsapp que faziam piada das pessoas que ainda que fazem planos para mudar no ano novo. Não caia nessa rede, é óptimo buscar mudanças. Seja no novo dia, novo mês ou novo ano.  Mudar é humano e não precisamos de pedir permissão por isso.

Antes de partilhar a minha lista de aspirações para 2019, queria recordar-te que o quão é importante libertar a nossa voz, principalmente para nós mulheres. Eu estou amando a minha experiência no blog, escrever é a minha praia, soltar meus pensamentos, meus sonhos, minha visão do mundo, permite-me conectar com pessoas que podem ter a mesma “loucura”.

Nesse Ano Novo, esteja mais activa na internet e redes sociais, nós reclamamos sobre a desigualdade de género, liberdade de expressão, exclusão, mas ainda não estamos a explorar ao máximo os canais que temos disponíveis para marcar nosso espaço na sociedade. A dica está dada.

Primeiro post do ano e aqui vai a minha lista de resoluções para 2019. Novo Ano, Eu vou…

  1. Dedicar mais tempo a Deus
  2. Começar um canal no YouTube
  3. Escrever 2 livros
  4. Fazer ginástica com frequência (3x semana)
  5. Aprender uma língua nova
  6. Ler 12 livros
  7. Conhecer mais mulheres fortes moçambicanas
  8. Tirar cursos online (Estou de olho no Cursos 2h)
  9. Mudar o guarda-roupa (Essa eu quero ver,hehehe)
  10. Ser mais carinhosa (pedido da minha irmã Sumbi)

O ano está apenas começando, tire um tempo para planear a mudança na tua vida. Você não está sozinha nessa luta. Pequenas atitudes, transformam nossa vida pessoal e profissional. Para empreender, é preciso aprender a fazer mudanças. E começa por mudar a nós mesmas. Vamos empreender!

Pense em mudar, você não é uma árvore

                      Se não gosta de onde você está, mova-se! Você não é uma árvore.    Jim Rohn

Por que será que o povo moçambicano tem tanto medo de mudança? A alguns anos um comerciante tanzaniano disse-me que os moçambicanos tem medo de sair da asas da mãe, preferem sofrer na terra natal, enquanto tem oportunidades por explorar pelo mundo a fora. Hoje eu concordo com ele. Mas de onde vem tanto medo?

Imagina só, estou a uma semana no Porto e já vi uma loja chinesa e um restaurante brasileiro, mas nem sequer um sinal de negócio ou arte de Moçambique. As vezes penso que somos tão egoístas que não queremos partilhar a nossa maior riqueza com os outros. Qual é a nossa maior riqueza? Não qual, quem? Somos nós mesmas.

Já passa um ano que mudei de cidade e queria muito falar aqui no blog sobre esta experiência. Mudanças trazem dor, seja mudança de casa, de emprego, de cidade ou de país. Mover de um lugar para outro, significa de dizer adeus a momentos e pessoas que preencheram um espaço na nossa vida. E, embora o instinto diga que a mudança é para algo melhor, o medo nos acompanha até o momento que aprendemos a com nossas escolhas.

O espaço que escolhemos para viver e trabalhar transmite energias que são fundamentais para o nosso bem-estar. Lembre-se que você não é uma árvore, que foi plantada num terreno fértil e que se alguém decidir não regar, acaba por murchar. Você é humana, tem um potencial para explorar e precisa estar num ambiente que te dê liberdade para ser e fazer o que gostas.

Ser empreendedora, significa que estamos atentas não somente para oferecer ao mundo soluções de negócios, como também receber dos clientes, da família e até mesmo do Estado, condições satisfatórias para desenvolver o nosso espírito empreendedor. Mesmo que isso nos leve a mudar de casa, cidade ou país. O medo de mudança acontece só uma vez, depois descobrimos que podemos viver e fazer negócios em qualquer parte do mundo. Vamos empreender?

Mulheres com multi potencialidades. Heroínas ou vilãs?

Hoje eu tenho um pequeno exercício para si, tente responder em menos de cinco minutos. Escreva numa folha em uma palavra: como gostaria de ser recordada daqui a 100 anos.  Fácil, não é?

Eu tive essa questão na primeira semana de formação no YALI África do Sul e até hoje recordo-me da gargalhada que soltamos quando chegou a minha vez de partilhar a resposta com o colega ao lado. A minha resposta foi ….. LOUCA.

Eu passei grande parte da minha vida ouvindo que sou louca, principal no meio de conversas sobre empreendedorismo. Quando essa palavra vem em tom de riso e de pessoas que são importantes na nossa vida, não há porquê levar a mal. Por isso dediquei tempo explorando a minha loucura e dei de caras com uma palavra interessante: Multipotencialidade.

Uma pessoa com multipotencialidade explora múltiplas áreas de conhecimento que culmina no desenvolvimento de diferentes profissões, hobbies ou projectos. Em muitos casos as actividades executadas por pessoas multi potenciais são de áreas completamente diferentes e elas estão envolvidas em novos projectos constantemente.

Embora o termo seja pouco utilizado em Moçambique, facilmente encontramos profissionais multi potenciais involuntários no país. Isto é, talvez já tenha visto uma jovem que aprende um ofício (cuidar de unhas) para próprio sustento devido a falta de emprego, depois consegue emprego numa área diferente e posteriormente inicia um curso universitário noutra área. No final do dia, temos uma profissional com diferentes habilidades e com capacidade de executar cada tarefa com excelência. Eu não me considero multi potencial involuntária, pois tenho adquirido novas habilidades por interesse e esse processo acontece desde a infância. Sempre acreditei na busca do conhecimento como um caminho para sucesso na vida pessoal ou profissional.

Pelo que percebi de leituras sobre o tema, as pessoas com multi potencialidade sentem dificuldade de ajustar-se no mercado como empregados por conta de outrem, pois um CV com múltiplas experiências são considerados confusos pelos empregadores. Enquanto que empreendedores multi potenciais possuem a inovação, criatividade e flexibilidade necessárias para o crescimento dos negócios. Pela minha experiência, quando a pessoa não reconhece ou tem dificuldade de gerir a multi potencialidade é a linha que divide o ponto positivo de novas descobertas e a dita “loucura”.

E então, vamos parar de olhar o mundo como um laboratório em busca de novas experiências e ter foco numa única profissão ou negócio? A minha resposta é não. Não abdique do prazer de explorar novos caminhos profissionais, aprenda a gerir o tempo e defina estratégias para aplicar a multi potencialidade a seu favor (ganhar muito dinheiro). E como sempre, se não conseguir encontrar as respostas sozinha, procure apoio profissional. Vamos empreender?

 

Qual é a melhor idade para começar um negócio?

Diariamente nós fazemos escolhas. As escolham pode ser sobre a roupa que vamos vestir, o tipo de pequeno-almoço, a lista de tarefas do trabalho e por aí em diante. Certas escolhas exigem-nos maior cautela porque tem impacto na nossa vida a médio e longo prazo. Iniciar um negócio é uma escolha que não deve ser tomada de ânimo leve, pois afecta-nos muito mais do que imaginamos. O nosso bem mais precioso, a SAÚDE, fica em risco quando simplesmente colocamos de lado essa pergunta: quando vou começar o meu negócio?

Este mês é dedicado a campanha Setembro Amarelo, uma iniciativa global de prevenção ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, problemas de saúde mental como a depressão, perturbações de personalidade, abuso de álcool e de substâncias são factores de riscos para o suicídio. A minha atenção vai para a depressão, uma doença que evitamos falar, diagnosticar e procurar tratamento, pois em Moçambique ainda é tabu falar sobre saúde mental.

A OMS define a depressão como:

um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração.

Imagino que você deve estar a se perguntar: Mas qual é a relação entre depressão e empreendedorismo? Uma das características da depressão é a tristeza, um dos melhores textos que já li sobre a tristeza foi do Dr. Miguel Lucas, que afirma que a tristeza “obriga-nos” a dar atenção a algo que precisa ser resolvido, melhorado ou compreendido. Então, como uma empreendedora pode resolver o problema do cliente e deixar de lado o cuidado de si mesma? Já parou para pensar se a tristeza que sente ou sentiu está relacionada com a sua escolha profissional? Se a resposta for positiva, é altura de procurar ajuda profissional para reverter a situação.

Quanto a melhor idade para começar um negócio, também encontro uma relação com a saúde mental. Na minha opinião a melhor idade para começar um negócio é entre os 18 aos 25 anos de idade. Nesta fase a mulher maior capacidade para adquirir novas habilidades, busca ajuda com facilidade e tem mais foco no desenvolvimento profissional. Pelo que tenho observado no quotidiano e nas redes sociais, as mulheres desta faixa etária falam abertamente sobre a saúde mental, já desenvolveram muitas habilidades positivas para empreendedoras, tais como: auto conhecimento, pensamento crítico, negociação, falar em público, criatividade e flexibilidade.

Enquanto escrevia este texto, recordei-me das vezes que ficava em frente ao espelho enquanto me preparava para mais um dia de trabalho e sussurrava para mim mesma “Estás velha para isso”. Eu concordei comigo mesma e resolvi utilizar essa “velhice” como força (experiência) para o negócio.

No final, a minha mensagem é:

Escolha quando vai começar um negócio o mais cedo possível. A sua saúde mental também conta. Pode ter 20 anos e decidir que vai começar o negócio aos 25, 30 ou 40, o importante é dedicar algum tempo para preparar-se emocional e financeiramente para ter o seu próprio negócio.