Minha experiência com reutilização e reciclagem

Que criança dos anos 90 não corria para perto da TV quando escutava…

O sol nasceu
Como está
Lindo céu
Lá vou eu, vem tu daí também
Aprender como se vai até a Rua Sésamo

O programa infantil Rua Sésamo foi uma das principais influências para que eu me tornasse uma pequena ambientalista. Desde cedo aprendi a manter a cidade limpa e andava com a mochila cheia de embalagens de rebuçados, pastilhas e bolachas, até encontrar o contentor de lixo mais próximo ou chegar a casa.

Enquanto o tempo passava, fui percebendo que poderia fazer mais pelo meio ambiente. A utilização da internet e participação em actividades ambientais contribuíram para que eu conhecesse novas medidas para reduzir o lixo na cidade. Até agora a reutilização  e reciclagem são os principais medidas que implemento no dia a dia.

É comum as pessoas confundirem reutilização e reciclagem. Conheça um pouco a diferença entre as duas palavras.

A reutilização consiste em dar um novo destino para um material, sem alterar a sua característica e não entra no novo ciclo de produção. Possa dar o exemplo de uma embalagem de sorvete que tem nova utilização como recipiente para colocar feijão. Um outro exemplo seria a roupa que entregamos para doação, que terá novo destino nas mãos de outra pessoa.

Por outro lado, temos  a reciclagem que significa colocar o material no novo ciclo de produção, isto é, o que é lixo para alguém pode ser matéria prima para outra pessoa, que transforma o lixo num novo produto. Desde o início do blog tenho partilhado diversas iniciativas de reciclagem, como por exemplo a Daisy  Social – Handmade Soap que produz sabonete artesanal com óleo utilizado.

Então a minha experiência de reutilização e material não tem sido das melhores, algumas vezes acabei juntando muito material (embalagens de iogurte, leite, água, cartão) e quem aparecesse no nossa casa poderia perguntar “você faz reciclagem ou é acumuladora” ? Acredito que não sou a única com um monte de material para reciclar.

Felizmente encontrei algumas alternativas para manter-me na lista das amigas do ambiente e não uma acumuladora. Encontre algumas dicas para tornar reutilizar e reciclar sem muito estresse:

  1. Uma pessoa sozinha não muda o mundo. Escolha quais são os materiais que vai reutilizar ou reciclar e o restante material entregue a pessoas ou empresas que trabalham com outros produtos. No meu caso, reutilizo caixas de iogurte para fazer jogos infantis e papelão para letras decorativas. O restante material até agora entrego a Daisy Social e Victória Caetano.
  2. Reutilizar é mais prático do que reciclar. Veja ideias de decoração de casa DIY (Do it yourself- Faça você) e comece a aplicar em casa. A garrafa de água antiga pode servir de recipiente de de arroz, a toalha de banho pode virar pedaços de pano para limpar o pó e por aí em diante.
  3. Participe em grupos do Facebook ou Whatsapp que trocam materiais usados, se não encontre um grupo na sua região é só criar um.
  4. Fique atento a eventos ambientais da sua região para apoiar e trocar experiência com outras pessoas que se interessa pelo tema.

Como empreendedoras, o nosso trabalho não é apenas vender produtos e serviços. Nossa maior missão é transformar o mundo em que vivemos e estar atentas aos problemas da nossa cidade é um exercício precisa ser feito de forma constante.  Não importa a sua área de actuação, nós lidamos com pessoas, pessoas vivem na natureza e a falta de cuidado com a natureza é também uma falta de cuidado com nossos clientes. Vamos empreender? Partilhe nos comentários a sua experiência de preservação do meio ambiente.

 

featured pic (5)

Como reciclar com a Xabindza?

Desde cedo aprendi a valorizar o prato de comida que tínhamos na mesa. Recordo-me como se fosse hoje cada vez que fazia birra para não terminar a comida e a minha mãe me recordava (com simpatia) que havia crianças passando fome, e o prato ficava limpo. Nos dias hoje, parece que a imagem de crianças famintas está esquecida e é cada vez maior a quantidade enorme de comida desperdiçada nas casas e restaurantes. A comida desperdiçada rapidamente se transforma em lixo, tal como os pedaços de hortícolas ou carne que não foram utilizados na sua confecção.

Para a nossa alegria, a Júbia Domingos, Sócia Gerente da Xabindza, concedeu uma mini entrevista para o Blog, onde apresenta-nos uma solução inovadora que vai minimizar o problema do lixo nos centros urbanos. Acompanhe a entrevista.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Pergunta: Fale um pouco sobre a Xabindza

Resposta: Xabindza é a primeira start-up Moçambicana de biotecnologia para o processamento de resíduos orgánicos em sumplemento animal com alto valor proteíco para ração animal e fertilizante orgánico para produção vegetal através larvas de insecto da mosca de soldado negro. Estes resíduos orgánicos podem ser de origem animal ou vegetal, dentre quais o estrume de frango e restos de hortícolas e frutas que são perdas ao longo da cadeia de valor alimentar.

 

Pergunta: Qual é o actual cenário da reutilização dos resídios solídos em Maputo?

Resposta: A gestão dos resíduos orgânicos constitui um dos grandes desafios em países de baixa e média renda, e Maputo sendo a capital e a maioria cidade de Moçambique não é excepção, cerca de 25 500 toneladas de  resíduos são depositados na lixeira de Hulene.

Actualmente, este resíduos são depositados em aterros abertos, queimados, enterrados e uma infíma parte que é transformado em composto para fertilização dos solos. O motivo do actual cenário, prende-se ao facto de muitas pessoas não saberem que este pode ser transformado em recurso valiosa para agricultura, assim sendo, não fazem uma organização selectiva do mesmo, excepto o sector privado, em que existe uma empresa que fornece o serviço de gestão integrada de resíduos.

Neste contexto a Xabindza está comprometida a oferecer uma solução inovadora e sustentável para gestão de resíduos orgánicos na área de produção animal e nas médias-grandes (agro-processamento) a partir da sua transformação em produtos com valor comercial.

 

Pergunta: Como as mulheres podem ajudar a tornar o vosso trabalho possível?

Resposta: No nosso país as mulheres desempenham múltiplas funções, elas são mães, governantas das casas e por outro lado a maior parte está envolvida no comércio informal, particularmente na comercialização de hortícolas e frutas, produtos altamente perecíveis, constituindo a maior fracção de lixo encontrados em mercados urbanos.

Assim sendo, elas são um dos elementos fundamentais, pois ao adoptarem a organização selectiva dos resíduos orgánicos elas estarão contribuindo para a gestão sustentável destes e ao mesmo tempo contribuindo para maior disponibilização de insumos de produção mais acessíves para os produtos (frangos) que elas comercializam e ao mesmo tempo são usados na preparação das refeições familiares.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

No final, a minha convicção de que as mulheres têm o papel chave para o desenvolvimento do país tornou-se mais forte. Do que estamos a espera?

Para mais informações sobre a Xambidza:

Telemóvel: 844139748

E-mail: jubya.domingos@gmail.com

 

 

 

6 maneiras de reciclar com a Daisy Social?

Recordo-me até hoje da voz serena da Cristina Rocha quando apresentava o projecto Daisy Social no Awit Mozambique 2017. Eu fico encantada com artigos feitos a mão e muito mais fascinada quando o processo de produção inclui materiais reciclado.

A Daisy Social apresenta-se como:

Um  negócio que visa emponderar as mulheres com habilidades para produzir sabonetes artesanais de baixo custo através da utilização de ingridientes e materiais recicados. Para alem de criar trabalho, ajudam no meio ambiente com a  reciclagem.

Tive oportunidade de conversar com a fundadora da Daisy Social em diferentes ocasiões, o ponto de encontro mais frequente era na Mozarte, onde foi possível presenciar as formações e sentir de perto o aroma dos sabonetes. A Cristina Rocha partihou  comigo que o óleo de cozinha era um dos ingridientes de fábrico dos sabonetes e logo encontrei uma forma de contribuir para a iniciativa. Desde então tenho aguardado com entusiasmo que o pote de óleo usado fique completo para entregar a Daisy Social.

Você já sabia que o sabonete era produzido com óleo? Se não, agora já sabe e se quer contribuir para o empoderamento das mulheres moçambicanas, faça doação de ingrientes e materiais para a Daisy Social.

Procurei mais informações de como reciclar com a Daisy Social e tenho uma listinha. Vamos anotar?

  1. Óleo de cozinha usado (excepto óleo usado para fritar peixe)
  2. Pó de café usado seco
  3. Pacotes de leite e de sumo
  4. Caixinhas de plásticos
  5. Rolos de cartão do papel higienico
  6. Caixas de cartao duro

Os artigos da lista são utilizados na produção inicial dos sabonetes, como também na produção de moldes. Se visitar o website e redes sociais da Daisy Social tem diferentes desenhos de sabonetes artesanais.

Para mais informações sobre a Daisy Social:

Web: https://daisyhandmadesoap.wordpress.com/

E-mail: daisyhandmadesoap@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/DaisyHandmadeSoap/

Por que eu escrevo_ (1)

Porque escrevo? Apresentação do blog Empreendedora Solo

A minha relação com a escrita é antiga, uma história de cumplicidade e conflitos com mais de duas décadas. Desde textos literários a documentos técnicos, tem sido um enorme desafio contar histórias e partilhar conhecimento para públicos diferentes.

R

O projecto Empreendedora Solo é um recurso digital que oferece as futuras  empreendedoras (em especial, mas não exclusivamente) informações e serviços que facilitem a sua imersão nesse estilo de vida empreendedor. Estilo de vida? Sim, é assim que eu vejo “ser empreendedora”, uma  mulher que para além de correr riscos ao iniciar um negócio próprio, questiona a sua atitude consigo mesma, com quem se relaciona e o seu papel na comunidade. Ingenuidade a parte, começamos um negócio para ganhar dinheiro, mas os nossos valores e personalidade precisam ser coerentes e consistentes, faceis de identificar nas escolhas diarias que fazemos, a roupa, a alimentação, o lazer, que combinados se transforma num estilo de vida.

Sempre que visitar o blog, pode esperar encontrar textos da minha autoria, resultantes de pesquisa, experiência profissional ou investimento de recursos em cursos ou eventos. Empreendedorismo  e Tecnologia são as principais temáticas dos textos, mas também espero cobrir também  desenvolvimento pessoal e ambiente.

Como autora, já imaginei o meu público-alvo, jovens mulheres dos 18-35 anos, sem nenhuma ou pouca experiência de criação de negócios, curiosa em buscar experiência sobre o assunto antes de decidir começar um negócio e alguns pequenos detalhes, mas no final o blog pode ser visitado por familiares, colegas de escola, leitores acima dos 40 anos e até o CEO de uma multinacional. E aí começou uma série de perguntas: Escrevo Olá visitante, Querido Leitor ou Carissimos? Posso ser sarcástica ou não? Será que escrevo em inglês? Será que vou ter alguma influência positiva? Será que vou arranjar inimigos? Será? Será? E as questões foram infinitas e sempre serão.

Por fim, entrei em acordo com minhas borboletas interiores, antes de publicar um texto vamos reflectir cinco pontos:

  1. Estou sendo clara o suficiente?
  2. Quebrei alguma regra pessoal de vulnerabilidade?
  3. O texto incentiva as mulheres a reflexão ou parece que o assunto está encerrado?
  4. Como está a dose de criatividade?
  5. Eu enviaria o texto para a minha filha daqui a 15 anos?

E basta três “sim” que o texto fica visível para o público e a vida segue.

Lembra que mencionei as fontes (pesquisa, experiência e formação) dos textos, não é? Acompanhe o blog como fonte adicional de consulta sobre o assunto e não é válido como referência de trabalhos académicos. No final de cada postagem está aberto a sessão de comentários para partilhar a sua opinião, fazer sugestões e interagir com o propósito de melhorar a sua experiência sempre que retornar.

Apresentação concluída. Vamos empreender?