Um novo motivo para não começar o negócio: Corona Vírus

Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.

Mark Twain

Desde que a Organização Mundial da Saúde declarou que o Corona vírus é uma pandemia, diversas organizações adoptaram medidas de prevenção e propagação do vírus, tais como: trabalho remoto, pausa nas aulas, cancelamento de eventos e aí por em diante.

Um exemplo recente foi o cancelamento do Lioness Lean In Breakfast, um encontro importante para mulheres empreendedoras em Moçambique. E daí surgiu uma questão:

Será que vale a pena começar um negócio nos próximos meses?

Acredito que essa é uma dúvida de muitas empreendedoras, principalmente quem já adiou iniciar o negócio por vários motivos. O corona vírus entra para a lista dos motivos para não começar o negócio.

A minha resposta é simples: sim, vale a pena começar um negócio no meio da crise global.

A  mulher empreendedora corre riscos, busca soluções para os problemas, inova e acima de tudo, protege-se das ameaças. Nesta situação particular do corona vírus, eu sei que é comum sentir medo do futuro do negócio, eu também sinto isso, mas o medo precisa de uma adversária à altura. Uma mulher capaz de cortar o medo em pedaços, analisar a essência do medo e tomar uma atitude vencedora.

Vamos imaginar qual seria o pior cenário se uma empreendedora apostasse em abrir uma loja de roupa em Abril:

  • Poucos clientes na loja porque estarão em casa;
  • As despesas da loja seriam maiores do que as receitas;
  • Risco de ser infectada pelo vírus no movimento casa loja;
  • Risco infecção para os clientes na altura da prova de roupa;
  • Falta de stock de produtos porque os fornecedores estão na lista de países de risco

A lista de desvantagens para começar o negócio da loja que apresentei acima, ajuda a analisar o medo de iniciar o negócio e encontrar alternativas para avançar com confiança. As possíveis alternativas para começar o negócio de venda de roupa em Abril seriam:

  • Venda online (página facebook, sites de venda personalizados)
  • Selecção de fornecedores locais ou roupa com costura sob medida
  • Processo de tratamento de roupa seguro

A lista de alternativas pode ser longa, mas tenha uma afirmação em mente:

No tempo de crise, não sobrevivem os mais inteligentes, mas sim os mais flexíveis.

Esteja preparada para adaptar a sua ideia de negócio e quem sabe encontrar um outro negócio que se ajusta ao cenário actual. Por mais que você ame muito moda, mas se o seu grupo alvo está mais preocupado com a alimentação, que tal oferecer primeiro a comida e quando as condições estiverem mais favoráveis, apresentas a nova colecção de roupa.

Só para finalizar, não adie tanto o início do seu negócio. Não deixe o medo vencer, porque as empreenderas são as novas heroínas de Moçambique.

A auto estima e o empreendedorismo: dois conceitos que caminham de mãos dadas

A auto estima não é um termo novo no universo feminino. Embora algumas mulheres fazem confusão entre auto estima e vaidade. Nem sempre uma mulher maquiada, vestida com a última novidade da Chillipepers e com uma bolsa cavalinho, significa que ela está com a auto estima elevada.

Um rápido esclarecimento, empreendedoras. Auto estima é o valor que alguém atribuí a si própria, essa avaliação muda com as experiências que se vivenciam ao longo da vida. Tem vezes que a nossa auto estima está alta e outras vezes que está baixa. Já a vaidade, é apenas o cuidado que temos com a nossa aparência, com objectivo de prazer pessoal ou atrair a atenção dos outros. A auto estima pode influenciar uma atitude vaidosa, mas o inverso não acontece.

No dia a dia, as empreendedoras enfrentam muitas pressões. Desde o excesso de trabalho, a cobrança dos compromissos pessoas e chega uma altura que começa a duvidar das suas qualidades profissionais e emocionais. Quantas mulheres abandonaram os projectos empreendedores porque deixaram de acreditar no seu potencial de criar, inovar ou gerir um negócio? É por isso que a auto estima e o empreendedorismo caminham juntos. Antes de visualizar o modelo de negócios e contactar os clientes, avalie como está a sua auto estima e procure estratégias para manter a auto estima alta com frequência.

Trabalhar a auto estima é crucial para a jornada empreendedora, pois é o caminho de altos e baixos que só pode ser ultrapassado com o amor que temos por nós mesmas. Precisamos nos amar primeiro, para exergar os desafios que vão surgindo com optimismo e acreditar que somos capazes de vencer tudo.

Existe diversas formas para cultivar a auto estima: valorizar as conquistas, reservar tempo para si, praticar desporto ou actividades que lhe dão prazer, manter por perto pessoas positivas e aprender algo novo com frequência.

Algumas vezes, é necessário ajuda profissional (Coach ou Psicóloga) para resgatar e fortalecer a auto estima. Sozinha ou com ajuda, trabalhe sempre na sua auto estima. O empreendedorismo precisa de si. Vamos empreender?

 

 

 

 

 

O poder da organização pessoal

Organize-se. A organização traz paz

Johnny de Carli

O que te vêm a mente quando ouve a palavra organização? Eu imaginava: uma mesa de trabalho sem papéis, um calendário preenchido na parede e uma agenda com anotações diárias. Por isso, a organização passou para o topo da minha lista de mudanças no meu estilo de vida. Mas do que uma mesa de trabalho organizada, a meta é uma vida organizada, e falo da vida pessoal como profissional.

Não é fácil ser organizada, principalmente quando nos conhecemos como o oposto disso a vida toda e temos poucas referências por perto. No entanto, a organização é uma habilidade que pode-se aprender em qualquer fase da nossa vida. Isso acontece a medida que percebemos que queremos mais paz, produtividade e facilidade na vida pessoal e profissional. No meu caso, a desorganização trouxe prejuízos financeiros, estresse e ansiedade. Consegue recordar das desvantagens da desorganização da sua vida?

Não é possível separar a organização pessoal da profissional. Quando a vida pessoal está um caos, normalmente tem efeitos negativos no trabalho. E isso é mais notável nas empreendedoras do que numa profissional com emprego. A rotina de uma empreendedora é corrida, muitas decisões por tomar, contacto com clientes ou fornecedores, produção ou aquisição dos produtos e serviços, gestão financeira e do pessoal. Agora, imagina tudo isso, para uma mulher casada e com filhos pequenos. Este é um dos principais desafios para as mulheres empreendedoras, e chega-se ao extremo de colocar na balança o que é mais importante: a família ou a carreira. Sabe qual é a resposta para esse dilema? Nós podemos ter tudo. Um negócio sustentável e um relacionamento familiar sólido.

O poder da organização pessoal é esse, permite-nos saber como estão as nossas finanças, as nossas obrigações pessoais e daí conciliar com os compromissos profissionais. Cada uma define o seu dia, o que é importante ou urgente, as ferramentas electrónicas disponíveis para melhorar a organização e como está a sua rede de apoio em caso de sobreposição de agenda de compromissos pessoais e profissionais.

A organização pessoal e profissional tem custos, acredita que é um dos melhores investimentos a fazer. Pois se adiar a decisão de ter uma vida organizada, os custos a longo prazo podem ser maiores. Dívidas, cuidados com a saúde, rompimento de relacionamentos familiares e até mesmo a morte, são algumas das consequências de uma vida pessoal desorganizada.

Como empreendedoras, sonhamos mudar o mundo, criar impacto positivo na vida das pessoas ao nosso redor, mas como Gandhi dizia a mudança começa connosco. Por isso, vamos aprender a organizar a nossa vida pessoal e profissional. Que tal começar hoje?

A busca pela experiência e não por uma lição do passado

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

Provérbio Chinês

Nas últimas duas semanas tive a companhia de uma pessoa especial da família, com quem não convivia a mais de quinze anos. Eu e ela seguimos rumos diferentes, /mas com a ajudinha da tecnologia é possível estar presente na vida uma da outra.

Passar um tempo com pessoas que conhecem nossa história, recordar dos episódios esquecidos da infância, voltar aos lugares que nos marcaram, não é 100% divertido como nos filmes de reencontro familiar de Hollywood. Teve momentos de gargalhadas, recordando do concerto que fomos e eu pedi um autografo da dupla Lucas e Mateus na nossa favorita blusa branca. Mas também teve momentos de choros, retornar a igreja que nos viu crescer e recordar de alguém que partiu em cada canção. E assim é a vida, eu tenho um passado.

O passado, aquele conjunto de acontecimentos que tivemos num tempo anterior ao presente, é notável tanto na vida pessoal como profissional. Todos temos um passado. Mas será que temos experiência sobre esses acontecimentos?

Eu vejo com frequência mães partilhando opiniões sobre educação infantil, com uma autoridade incrível, alegando que tem dois ou três filhos e são experientes sobre o tema. O mesmo acontece com relacionamentos e negócios. Na verdade, somos rodeados de muitas pessoas com passado e poucas com experiência.

Na nossa jornada empreendedora, é crucial buscar experiência e não coleccionar momentos que vão se transformar em passado. Cada acção deve ser planeada, preparada e executada com metas. A nossa habilidade de medir onde estamos e para vamos, torna-nos mais perto da experiência. E isso faz a diferença no negócio.

No entanto, o meu interesse em diferenciar a experiência do passado, não significada que devemos ignorar este último. O passado é importante, mas a análise do contexto e causa dos eventos é ainda mais importante. Não podemos tomar o passado por certo, ter filhos adolescentes ou um negócio há 10 anos, nem sempre significa experiência em educação infantil ou negócio. Por isso, testemunhamos mães frustradas quando os filhos se envolvem no crime ou empresárias com vários anos de actuação no mercado que cometem erros de principiantes.

A partir de hoje, reveja seus conceitos de experiência e passado. Para si, essas duas palavras tem mesmo significado ou não? O que acha da minha abordagem. Partilhar a nossa visão do mundo, faz-nos crescer como mulheres e empreendedoras. Vamos empreender?

 

 

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O poder da responsabilidade pessoal

O livro capitalist nigger (Capitalista preto em português, tradução livre) do jornalista nigeriano Chika Onyeani é uma grande chamada de atenção sobre senso de responsabilidade da raça negra. Nesta obra polémica, o autor considera que os negros passam a vida a culpar os brancos pela condição económica dos negros na América e África. E tambéem apresenta a sua abordagem ou solução para a raça negra alcançar o sucesso e independência económica.

Quantas vezes responsabilizamos a nossa família, o nosso chefe, o governo e Deus pelos acontecimentos na nossa vida? Não há nada de errado em atribuir responsabilidade aos outros, o nosso nível de influência é maior em alguns eventos do que outros. Como diz o coach Michal Niell:

Existem três coisas na vida que devemos saber: “O que é da nossa conta, o que da conta do outro e o que é da conta de Deus

Seguindo o pensamento do coach Michl Niell, elaborei este quadro para cada uma de nós reflectir sobre a responsalidade dos acontecimentos na nossa vida.

Esta reflexão sobre responsabilidade pessoal é crucial para nós, mulheres e empreendedoras. Tal como os negros despejam a culpa da sua pobreza na colonização, as mulheres atribuem a culpa ao machismo. Neste texto, não quero aprofundar sobre o racismo ou machismo, mas sim destacar as condições actuais que as mulheres tem para decidir empreender e fortalecer o empreendedorismo feminino.

É responsabilidade de cada uma de nós, utilizar e aprender habilidades para começar um negócio. É nossa responsabilidade consumir produtos e serviços de mulheres. É nossa responsabilidade conhecer e partilhar o trabalho das mulheres moçambicanas.

Se não fizermos isso, pode ser que ninguém fará por nós. E seremos mais uma geração que reclama de falta de oportunidades para as mulheres. Vamos empreender?