Bem-vindo Outubro, 30 textos publicados (Alguém merece um cupcake)

Estamos na primeira semana de Outubro e celebramos a entrada do quarto mês do Blog Empreendedora Solo. Alguém merece um Cupcake.

 

Para alguns, apenas outro blog para mulheres. Para mim, é o Blog de Empreendedorismo feminino em Moçambique, que vai se transformar na plataforma de referência internacional para mulheres empreendedoras. Sim, este é apenas o começo.

Depois de comemorar este grande dia com um Cupcake, estava a pensar nos primeiros três meses do projecto. Uau, senti um enorme orgulho de mim mesma! Foram 30 textos escritos, participei em eventos e conheci novas empreendedoras que aumentaram minha confiança nesta jornada. Se você está no início, deve ter percebido com o empreendedorismo é solitário, você olha para o lado para desabafar e só encontra pessoas que dizem “Para de reclamar, arruma um emprego?”. Mas felizmente, conseguimos encontrar uma força maior que nos move para continuar a luta.

Então, que balanço você faz destes três meses? Vai continuar por aqui? Eu tentei passar para o lugar de leitura por alguns instantes e acho que vale a pena continuar a acompanhar o Blog. Mas uma mexida aqui, outra aí, não faz mal a ninguém. O objectivo é tornar o nosso espaço virtual mais inspirador e dinâmico.

Por isso para o mês de Outubro temos as seguintes novidades:

  1. Nós damos “Adeus” para a categoria review de eventos. Ao longo dos três meses tiramos lições importantes de diferentes eventos, que com certeza irão moldar as futuras empreendedoras. Não se preocupe que a fonte de inspiração não está esgotada, vem aí a categoria “Empreendedora Amiga” um conjunto de entrevistas com mulheres empreendedoras, num estilo bem ousado.
  2. Livros são importantes para o desenvolvimento pessoal e profissional. A maioria dos livros partilhados na Estante Virtual do Blog eram obras de auto ajuda, porque como digo sempre “o autoconhecimento é a chave para o sucesso”. Mas confesso, fiquei aborrecida e frustrada nesta tentativa de escolher bons livros para ler e partilhar. Então a alternativa que encontrei para trocar a Estante Virtual foi a nova categoria que estreia em Outubro onde vou partilhar os conteúdos que mais gostei na internet.

Eu estou feliz e grata por ter escrito trinta textos e principalmente por feedback que tenho recebido dos leitores. Vamos empreender?

Mulheres com multi potencialidades. Heroínas ou vilãs?

Hoje eu tenho um pequeno exercício para si, tente responder em menos de cinco minutos. Escreva numa folha em uma palavra: como gostaria de ser recordada daqui a 100 anos.  Fácil, não é?

Eu tive essa questão na primeira semana de formação no YALI África do Sul e até hoje recordo-me da gargalhada que soltamos quando chegou a minha vez de partilhar a resposta com o colega ao lado. A minha resposta foi ….. LOUCA.

Eu passei grande parte da minha vida ouvindo que sou louca, principal no meio de conversas sobre empreendedorismo. Quando essa palavra vem em tom de riso e de pessoas que são importantes na nossa vida, não há porquê levar a mal. Por isso dediquei tempo explorando a minha loucura e dei de caras com uma palavra interessante: Multipotencialidade.

Uma pessoa com multipotencialidade explora múltiplas áreas de conhecimento que culmina no desenvolvimento de diferentes profissões, hobbies ou projectos. Em muitos casos as actividades executadas por pessoas multi potenciais são de áreas completamente diferentes e elas estão envolvidas em novos projectos constantemente.

Embora o termo seja pouco utilizado em Moçambique, facilmente encontramos profissionais multi potenciais involuntários no país. Isto é, talvez já tenha visto uma jovem que aprende um ofício (cuidar de unhas) para próprio sustento devido a falta de emprego, depois consegue emprego numa área diferente e posteriormente inicia um curso universitário noutra área. No final do dia, temos uma profissional com diferentes habilidades e com capacidade de executar cada tarefa com excelência. Eu não me considero multi potencial involuntária, pois tenho adquirido novas habilidades por interesse e esse processo acontece desde a infância. Sempre acreditei na busca do conhecimento como um caminho para sucesso na vida pessoal ou profissional.

Pelo que percebi de leituras sobre o tema, as pessoas com multi potencialidade sentem dificuldade de ajustar-se no mercado como empregados por conta de outrem, pois um CV com múltiplas experiências são considerados confusos pelos empregadores. Enquanto que empreendedores multi potenciais possuem a inovação, criatividade e flexibilidade necessárias para o crescimento dos negócios. Pela minha experiência, quando a pessoa não reconhece ou tem dificuldade de gerir a multi potencialidade é a linha que divide o ponto positivo de novas descobertas e a dita “loucura”.

E então, vamos parar de olhar o mundo como um laboratório em busca de novas experiências e ter foco numa única profissão ou negócio? A minha resposta é não. Não abdique do prazer de explorar novos caminhos profissionais, aprenda a gerir o tempo e defina estratégias para aplicar a multi potencialidade a seu favor (ganhar muito dinheiro). E como sempre, se não conseguir encontrar as respostas sozinha, procure apoio profissional. Vamos empreender?

 

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Você pode resistir, mas um dia precisará de conselhos

Posso contar uma história? Eu conheci uma mulher que dizia ser perita em homens, sentia o cheiro de homem malandro a distância e jurava de pés juntos que nunca cairia nas garras de um sedutor. Imagine só, tempos depois a perita do amor estava num longo relacionamento abusivo com o homem dos seus sonhos e tinha vergonha de conversar com as amigas sobre o assunto, até que um dia cometeu suicídio. Esta é uma história de amor fictícia (Se alguma de vocês estiver num relacionamento abusivo procurem ajuda urgente), o tópico que quero tratar hoje é sobre a dificuldade que algumas empreendedoras enfrentam para pedir conselho profissional.

Na nossa jornada empreendedora a maior vilã dos nossos sonhos somos nós mesmas. Quando temos algum recurso financeiro ou conhecimento adquirido na Universidade, julgamos que temos o suficiente para começar um negócio. Tal como a perita do amor que mencionei no início do texto, muitas empreendedoras já se consideram peritas em negócios porque os seus rendimentos não param de crescer. Eu nem vou aprofundar a questão do rendimento e lucro, pois não sou especialista no assunto.

O que interessa aqui é reflectir até que ponto temos conhecimento ou habilidades suficientes para tomar decisões sobre o nosso negócio sem ajuda. Posso dar como exemplo algumas questões:

– Que tipo de negócio vou fazer?

– Qual é o nicho perfeito para o meu negócio?

– Como aplicar o rendimento do negócio?

– Quando é a altura de aumentar a equipa?

– Tenho medo de fracassar. O que faço?

No caso específico de uma empreendedora solo é poupo provável encontrar por si mesma as respostas para estas ou outras dúvidas que possam surgir tanto como no início, como no decorrer da jornada empreendedora. O mundo de negócios não é para solitários, temos ao nosso dispor redes de suporte para empreendedores, alguns de forma gratuita e outros que requerem investimento financeiro.

Quando planeava escrever este texto, já tinha em mente o nome da Kathy Jamisse de Araújo (Coach e Psicóloga) como uma fonte para esclarecer as minhas dúvidas sobre como escolher um profissional para receber aconselhamento profissional. Conheci a Kathy num evento de networking para mulheres empreendedoras (Women Entrepreneurs Hustles in Mozambique Breakfast , procure o grupo no facebook) e logo interessei-me em trocar pontos de vistas sobre o papel dos psicólogos no desenvolvimento pessoal de empreendedoras.

Como empreendedora, enfrentamos alguns momentos de dúvidas, sem saber o rumo a seguir e com a solução para os nossos problemas longe do nosso alcance. Nesse momento, o melhor é consultar um psicólogo, um pastor, um coach, um mentor, um curandeiro, um amigo ou um consultor de negócios?

De um modo geral, a escolha da rede de suporte depende da crença da empreendedora e do tipo de bloqueio que impende ultrapassar a situação. E como o empreendedorismo não tem respostas prontas, cada uma deve ser capaz de avaliar quando precisa de ajuda externa e escolher a fonte adequada para ultrapassar a situação ou alcançar o objectivo que pretende. Seja por instinto ou experiência pessoal, sempre teremos a resposta do que fazer quando precisamos de aconselhamento profissional. Talvez não vamos acertar na primeira escolha, e daí passamos para as outras opções até criarmos a nossa própria rede de suporte.

Durante a conversa eu tive a oportunidade de esclarecer uma dúvida que tenho a muito tempo. Afinal, qual é a diferença entre um mentor e um coach? Se você também tinha a mesma dúvida, aqui vai a resposta:

Um mentor é uma pessoa com experiência numa área de actuação e que passa a sua experiência para o empreendedor. Ele partilha os seus desafios e como foi a sua experiência pessoal de superação. Enquanto o Coach é um profissional certificado internacionalmente para dotar os seus clientes de ferramentas para atingir os objectivos estabelecidos. O coach não precisa ser da mesma área de actuação do cliente, pois actua no espaço presente para o futuro, sem necessariamente requerer ao passado.

Então, é verdade que precisamos correr riscos, cometer erros, mas empreendedoras à sério avaliam com cautela os riscos e tentam cometer menos erros possíveis. E isso só é possível se deixar cair a máscara de perita e ter humildade de pedir conselhos quando for necessário.

Quando foi a última vez que consultaste a tua rede de suporte? Partilhe nos comentários.

Estante de Livros #3: Oficina do Empreendedor de Fernando Dolabela

Será que todos podemos ser empreendedores? Esta é uma questão que ainda precisa ser muito discutida em Moçambique. Muitos são os casos de mulheres que não partilham o seu sonho de empreender, porque acreditam que não nasceram para isso. A capacidade de transformar um sonho em um negócio não é exclusiva para algumas pessoas, todos podemos aprender a ter uma vida profissional empreendedora. A verdade é que todos nós podemos ser empreendedores.

O livro que escolhi apresentar hoje foi “Oficina do Empreendedor”, do autor brasileiro Fernando Dolabela, que apresenta de forma detalhada uma metodologia de ensino do empreendedorismo para o ensino secundário e superior. Segundo o autor a metodologia não é uma receita pronta, a mesma pode ser adaptada de acordo com o local onde será aplicado, assim como tendo em conta o perfil dos beneficiários.

Imagem: Amazon.com.br

Lições que tirei do livro Oficina do Empreendedor:

  1. O empreendedor acrescenta valor na sociedade. Empreendedor não se dedica ao enriquecimento individual, mas sim na consciência social. Questiona qual é a causa que apoia.
  2. No caso de Brasil (o mesmo ocorre em Moçambique) as pequenas empresas empregam mais do que as grandes empresas.
  3. Existem empreendedores involuntários, aqueles que criam o próprio emprego para sobreviver. O autor deu exemplos de trabalhadores que perderam seus empregos e daí começaram um negócio.
  4. O empreendedor e o empregado moderno não ficam a espera que alguém crie condições para ele fazer o seu trabalho.
  5. O empreendedor é o motor do desenvolvimento económico, ele aproveita as oportunidades com recurso a inovação.
  6. O termo empreendedor evoluiu ao longo dos anos, desde aquele que transforma conhecimento em produtos e serviços ou geração do próprio conhecimento, como aquele que inova nos diferentes campos do negócios tal como produção, marketing ou gestão.
  7. Não se pode dissociar o empreendedor da empresa que ele criou. A empresa tem a cara do dono.
  8. O empreendedor pode não ter recursos para abrir a empresa, mas deve ter capacidade de atrair recursos, convencendo as pessoas da sua visão.
  9. Não podemos considerar empreendedor, alguém que compra uma empresa e não introduz inovação no negócio.
  10. A metodologia Oficina do Empreendedor tem como fundamento a teoria empreendedora dos sonhos que define o empreendedor como aquele que sonha e busca tornar o sonho uma realidade.
  11. Na tentativa realizar o sonho, o empreendedor ajusta o sonho e a si mesmo, como resultado do autoconhecimento e dos recursos disponíveis para realizar o sonho.
  12. O fracasso só acontece quando o empreendedor morre, porque no processo de realização do sonho, o sonho e o empreendedor se transformam. O processo de buscar a realização do sonho já é um sucesso do que o resultado em si.
  13. Existe países ou locais com um ambiente melhor do que o outro para o surgimento de empreendedor. Também é possível criar uma cultura empreendedora numa sociedade pouco empreendedora.
  14. As perguntas chave da Oficina do Empreendedor são: qual é o meu sonho e o que vou fazer para transforma-lo em realidade. Para responder a essas questões o empreendedor desenvolve as seguintes habilidade: Conceito de si, conhecimento do sector, rede de relações e liderança.
  15. Os actores chave da Oficina do Empreendedor são: O empreendedor, O organizador da Oficina do Empreendedor (Professores podem se tornar OOE), sistemas de suporte (Mentores, Palestrantes), Instituições de ensino, Instituições do Governo e media.

No final do livro fiquei com um sentimento de tristeza. Era isso que eu que queria ter aprendido no escola secundária ou na Universidade. Mas tal como o Brasil apresentado por Dolabela, Moçambique também é um país com um fraco ambiente de incentivo para surgimento de empreendedores.

 O empreendedorismo não é uma ciência de transmissão de conhecimento, mas é possível criar-se condições para os empreendedores aprenderem de forma autónoma a transformar seus sonhos em visão, a utilizar os recursos disponíveis para transformar os sonhos em negócios sustentáveis.

Um agradecimento especial à Tatiana Pereira, Co-fundadora da Idealab por permitir-me desfrutar da leitura do  livro Oficina do Empreendedor. Numa rápida pesquisa na internet, encontrei a obra disponível no Amazon, para adquirir visite https://www.amazon.com.br/Oficina-empreendedor-metodologia-transformar-conhecimento-ebook/dp/B00A3D9V18 .

Gostou da sugestão? Partilhe comigo a sua lista de leitura.

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Nem todos vão apoiar o seu sonho, aprenda a viver com isso

Nós somos seres sociais, estamos em constante interação uns com os outros. Seja um  breve contacto ocasional ou convivência duradoura, estabelecemos conexões verdadeiras  com  familiares, amigos, colegas de trabalho e até com desconhecidos na fila do supermercado.  E enquanto ouvimos com atenção histórias conhecidas, também sentimos necessidade de partilhar nossos sonhos e planos.

Mas até que ponto um momento de descontração, pode se transformar num pesadelo  quando vemos reacções negativas quando partilhamos o nosso sonho de ser empreendedora. Não importa se estamos na fase de ideia de negócio ou com um negócio estabelecido, sentimos necessidade de partilhar nossa jornada. Este texto tem foco a ansiedade de partilhar o plano de empreender ainda na primeira fase, a ideia.

Em conversa com uma colega do Yali (Programa de formação de Jovens líderes africanos), foi comum para nós duas descrever como essa experiência de partilha da vontade de empreender, pode abalar com a nossa autoconfiança. No nosso interior, nós sabemos o que queremos, mas é a natureza humana buscar aprovação de pessoas, principalmente aquelas que são importantes na nossa vida.

No entanto, se ainda não sabe, uma das regras básicas da vida é que não é possível agradar a todos. Em algum momento vai partihar o seu sonho e se arrepender por isso. Ou estará no meio de uma conversa e receber uma crítica desagradável que vai lhe apetecer ser grosseira (nunca faça isso). A outra verdade, é que nós não temos controle da atitude alheia, podemos nos  prevenir de pessoas rudes ou reagir sem perder a classe.

As pessoas são diferentes, mesmo alguém tão próxima de si  como a sua mãe ou a sua irmã, pode ser jogar um balde de água quando falares sobre o seu sonho. Não se desespere, veja o que eu tenho a partilhar para tornar a sua experiência menos traumática.

  1. Avalie o objectivo da partilha de informação

Todos temos ideias de negócios, se vai partilhar com alguém precisa saber o que pretende. Algumas alternativas são: quer testar se a ideia é nova, procura uma co- fundadora ou investimento, quer recomendação  de fornecedores ou apoio técnico, etc.

 

  1. Identifique o momento oportuno

Existe momento certo para tudo e conhecer um momento oportuno para partilhar uma informação pode trazer bons resultados. Imagine que a sua amiga está numa fase sensível no relacionamento e ainda queres atenção para falar sobre a sua ideia de negócio. Não posso descrever o momento específico, porque depende da pessoa com quem queremos partilhar e o grau de afinidade. No meu caso, eu tinha um canto de criatividade, onde reunia com minhas irmãs para falar sobre as minhas ideias.  E de lá saiu novas versões do Olá Nana e uma lista enorme de ideias foi rejeitada.

 

  1. Escolha com quem partilha a informação

Eu já li em muitos artigos de histórias de empreendedores que devemos partilhar as nossas ideias com familiares e amigos. Particularmente, não levo esse conselho a letra. Nem sempre pessoas próximas possuem informações suficientes sobre o assunto para dar um contributo saudável para a sua ideia de negócio.

O seu objectivo de partilha da informação, vai ajudar melhor a escolher com quem compartilhar. Eu tinha pouco acesso ao público infantil, por isso as minhas irmãs pré-adolescentes eram excelentes fontes para avaliar o problema da educação no ensino primário.

 

  1. Esteja preparada para respostas negativas

A preparação para a conversa sobre a sua ideia de negócio começa por listar possíveis perguntas sobre o assunto e já ter as resposta na ponta da língua. Nem sempre as pessoas dúvidam da nossa ideia de má fé. Não tome a resposta como um ataque pessoa, a ideia pode não estar clara para a pessoa que recebe a informação. Quando se trata de negócio, o público alvo, formas de geração de rendimentos e recursos disponíveis devem ser fácil de entender. Ao longo da conversa responda as dúvidas com clareza, se receber um comentário indesejado pode optar por encerrar o assunto.

No final, estamos a falar de relações humanas e nem sempre a conversa corre como planeada. Não desista de falar sobre a sua ideia de negócio, quanto mais praticar falar da sua ideia, encontrará os pontos fracos que pode ajustar para colocar um produto ou serviço melhor no mercado.